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Jornalista, atuando profissionalmente há mais de 21 anos, com experiência em jornal impresso, TV, revista, rádio, webjornalismo e mídias alternativas, além de assessorias político-empresariais. CONTATOS: herzogcarlos@gmail.com

domingo, novembro 12, 2006

Crônica

Senadores mossoroenses

O hoje Palácio da Resistência foi, por longos anos, residência do saudoso senador Duarte Filho. Por volta das décadas de cinqüenta e sessenta, do século passado, num dos seus agradáveis terraços, reuniam-se Mota Neto, Quincas Moura, Manoel Mário, Antonio Nunes de Medeiros, Clodoaldo de Castro Meira, Paulo Gutemberg, Ulisses Duarte, Paulo Bedéo, Genildo Miranda, Diniz Câmara, Andró Leite, Xavier Fernandes, Wilson Duarte, Elviro Rebouças, Leodécio Néo, Samuel Gueiros, entre outros. Eram os amigos do austero político mossoroense, que ali analisavam os fatos da política local, do País e, entre uma xícara e outra do fumegante café, conversavam por horas a fio.

Muito próximo dali, na mesma avenida Alberto Maranhão, na morada de dona Ozelita Cascudo Rodrigues, tinha lugar outro “papo” que terminou gerando o movimento político denominado “senadoras de Mossoró”, cuja experiência está relatada em livro de autoria da professora Gizelda Lopes Pinto, uma de suas partícipes. Além da anfitriã e da escritora, ainda compunham o grupo: Jurema Lamartine, Edith Souto, Neide Paula, Wanda Gondin, Nancy Ferreira, Marlene Otto, Ivone Carlos, Edna Medeiros, Maria Ester, Rose e Ildérica Cantídio. Esta última sempre comparecia acompanhada do marido, João Cantídio, que terminou apelidado, carinhosamente, de “Jardineiro do Senado”.

Sob o teto de Rafael Bruno Negreiros, por determinado período, acontecia também um desses encontros. Seus irmãos Gabriel e Rômulo, Assis Amorim, Diran Amaral, Paulo Lúcio e Vilmar Pereira formavam o seleto grupo. O jovem engenheiro José Agripino, que, a trabalho, residiu em Mossoró por alguns meses, no início dos anos setenta, eventualmente, chegou a participar de alguns “debates”. A turma tinha uma peculiaridade: vez por outra, costumava intercalar a prosa com uma partida do jogo “impugno”.

Paulo Lúcio, tempos depois, formou um papo na praça Felipe Guerra. Quando voltava das minhas aulas na Uern, costumava agregar-me ao grupo. Apesar de estarmos falando de um passado recente, a violência urbana praticamente inexistia e ficávamos até altas horas em colóquio descontraído. Lázaro Paiva, Fabiano Santos, Regi Campelo, Telé, Zaidem Heronildes, Edvaldo Lima (Ual), os mais assíduos. Esporadicamente, freqüentavam Canindé Queiroz, Chico Leite, J. Belmont, Chico Borges, Assis Amorim e o sempre polêmico Coconha, protagonista de acaloradas discussões sobre prognósticos eleitorais e temas correlatos.

Nos dias de hoje, final da tarde, a calçada do professor Anchieta Alves é palco de encontro análogo. Luiz Sobrinho, Hugo Pinto, Chico Targino, João Duarte, Pedrinho da Flama, Paulo Fernandes, Frederico Miranda, Francisco Andrade Filho, entre outros circunstantes, compõem um “senado” cuja pauta principal é o momento político, suas conseqüências e seus desdobramentos.

Havia uma turma que por longo tempo, na praça Rodolfo Fernandes, todas as noites, fazia uma espécie de resenha esportiva. O bar de Chico Nunes, no Centro, e a padaria de Zeca de Belo, no Alto da Conceição, também são pontos de reuniões fraternas. Vários outros bate-papos existiram e existem em logradouros, terraços e bares mossoroenses.

O sociólogo Bernardo Sorj, falando em estratégias sociais e identidades coletivas, diz que “certos tipos de sociabilidade, como a brasileira, valorizam o associativismo informal (o grupo do bar, a turma da pelada, os amigos do bairro que se juntam para um churrasco ou ir à praia), que as estatísticas têm dificuldades de captar”.

Vejo que aqui, na distante Salamanca (Espanha), existe também o hábito dessas “confrarias”. Em uma cafeteria, cuja calçada é minha passagem obrigatória, observo que os freqüentadores são, invariavelmente, os mesmos. A conversa rola solta, entre a fumaça dos cigarros e as gargalhas.

Há um pouco de Mossoró em terras espanholas, para regozijo das minhas lembranças.

David Leite é advogado e professor da Uern – davidmleite@hotmail.com

4 Comentários:

Anonymous Samuel Junior disse...

Caro David, lendo sua crônica, decolei em viagem atá o "país de Mossoró" e aterrissei numa confraria denominada "Turma do Patamar da São Vicente". Chegando lá, visualizei os rostos de meu irmão Pérsio e do amigo Marcos Porto, que já se foram para outros patamares da vida. Chico Honório, com sua eloquência verbal, veio ao meu encontro, juntamente com o irreverente Jânio Rêgo. A turma do patamar estava toda lá: Porto Filho, Roberto, Fernando,Alexandre Braga, Paulo Roberto (irmão mais novo), Marcílio, Rutênio e tantos outros.
Clodoaldo e major Bezerra, estiveram presente em minha "viagem", querendo acabar com as peladas do patamar. A exemplo de anos passados, mais uma vez, não conseguiram! Parabéns pela bela crônica. Encheu minha alma de lembranças boas.

10:43 AM  
Anonymous Ricardo Borges disse...

Caro David que beleza de recordação você postou no “Blog” do amigo Carlos Santos. Quando criança morador do nº 431 da Rua Alfredo Fernandes, frequentador assíduo do patamar da Igreja de São Vicente, sou testemunha dos fatos relatados em sua crônica, trazendo à minha memória momentos maravilhosos da ‘Era de Ouro” da política Potiguar. Gostei também dos comentários do Samuel Gueiros Junior, também companheiro do Borjão no patamar da São Vicente.

9:26 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Ricardo Borges,ou, simplesmente Borjão. O Samuel Junior em questão, não é Samuel Gueiros. É Samuel Nário Fernandes Junior, irmão de Magnólia e Pérsio, para ficar apenas naqueles que estavam mais próximos de sua faixa etária. Fui morador da Alfredo Fernandes, vizinho de Cipriano e Álvaro Filho. Parabéns pelo comentário!

4:23 PM  
Anonymous Ricardo Borges disse...

Samuel Jr.

Peço desculpas ao amigo pela observação no Blog do Carlos Santos referente a Crônica de David Leite. No primeiro momento lembrei-me do Samuel Gueiros Jr que morava vizinho à residência de Dr. Duarte Filho, não me toquei que se tratava do filho do Sr. Nário que morava defronte a Igreja de São de Vicente. Aproveitando o ensejo visitei o seu Blog e o mesmo agora em diante passa a ser acessado pelo amigo que lhe escreve.

Sinceros abraços,


RICARDO ANTÔNIO DA SILVEIRA BORGES ( Borjão)

8:20 AM  

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