CARLOS SANTOS ON LINE

Blog jornalístico editado e postado no Rio Grande do Norte (Brasil)

Minha foto
Nome:
Local: Mossoró, RN, Brazil

Jornalista, atuando profissionalmente há mais de 21 anos, com experiência em jornal impresso, TV, revista, rádio, webjornalismo e mídias alternativas, além de assessorias político-empresariais. CONTATOS: herzogcarlos@gmail.com

domingo, dezembro 10, 2006

Artigo (Lúcia Rocha)

Nosso tempo: de livros, fatos, gente e lugares

“Foi uma covardia para com a inteligência do nosso povo e um golpe rasteiro na cultura de uma cidade que pretende ser capital cultural do Brasil”. A frase publicada no O Mossoroense, edição do domingo, 26, é em carta de Alexandre Capistrano a respeito de recente demissão do escritor MarcosFerreira.

Lembra-me o papo que Vingt-un Rosado tivera com dona América sobre quem seria o melhor poeta da cidade. Cada um defendia seu preferido, entre Marcos Ferreira e Antônio Francisco. Vingt-un acabara de enviar fax à então prefeita Rosalba Ciarlini. O mestre se preocupava com a situação de Marcos Ferreira, que fora demitido do jornal centenário. Pedia uma colocação para o poeta, jornalista, escritor, autodidata e revisor. Solicitava uma oportunidade. Dentre tantas que são ofertadas aos amigos do rei no país de Mossoró.

Algum tempo depois, o emprego saiu. Marcos fora contemplado numa cota dada ao ex-vice-prefeito Antonio Capistrano, então amigo do rei. Como todo poeta é ingênuo, Marcos acreditou que estava vivendo os melhores anos de sua vida. Logo ele, filho de sapateiro, passou a dar expediente diário na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, no templo da sabedoria, em meio a livros que não tivera em sua infância e juventude.

Por conta desse emprego já deixara de atuar na revista Papangu, que ele ajudou a consolidar desde o primeiro número. Também se deu ao luxo de comprar vários livros numa livraria chique da cidade. Coisa antes jamais imaginada. Pois só freqüentara sebos. Onde podia sentar-se num banquinho e ler um pouquinho de cada livro. E o ex-sapateiro e ex-vigia de rua que se fizera revisor no histórico jornal de Jeremias da Rocha passara a vencer concursos de poesias por este país afora.

Acreditando que a cultura é o nosso maior patrimônio, ao saber que vencera concurso na capital amazonense, ousou pedir a seus empregadores patrocínio para receber o prêmio. Qual foi sua surpresa, chamado ao palácio do rei, soube de sua sumária demissão. Retroativa, por sinal.

Perdera não somente o emprego, mas o salário do ultimo mês que trabalhara. Furtaram o leite de suas filhas, a prestação da casa própria, o acesso ao transporte público, além de outras despesas para manutenção de um lar. Donde se conclui, poeta, que você não estava na biblioteca por merecimento. Ingenuamente ocupara um cargo que contribui para alimentar a indústria doempreguismo. Bem típica de cidade de província.

Quem sabe, um dia, esses empregadores sejam alijados de uma vez da vida pública e regozijaremos com concursos públicos, que oportunizarão gente com competência, como você, para ocupar cargos por méritos próprios. E jamais pelo simples fato de pertencer a cotas de amigos do rei.

Lúcia Rocha - Jornalista - luciaro@uol.com.br

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial