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terça-feira, março 27, 2007

COLUNA DO HERZOG (Opinião)

Pilhagem infame

Uma pesquisa realizada pela Boriola Consultoria, na cidade de São José do Rio Preto (uma das maiores rendas per capita do país), interior de São Paulo, em janeiro-fevereiro deste ano, revela o nível da pilhagem criminosa dos banqueiros no Brasil. Com o beneplácito do governo federal, não estão deixando pedra sobre pedra.

Do total de idosos entrevistados, 81,7% estão endividados, e destes, 41,8% recorreram aos empréstimos consignados.

Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País, segundo IBGE. Em uma década, o número de idosos no Brasil cresceu 17%: em 1991, ele correspondia a 7,3% da população.

A panacéia dos empréstimos consignados não está causando erosão no bolso dos idosos apenas no interior de São Paulo, abalando a economia sertaneja. Num cenário de maior dependência de aposentadorias e pensões, como no RN (Nordeste), o quadro é ainda mais aterrador.

Montando verdadeiras expedições para saquear indefesos velhinhos em todos os quadrantes, as financeiras amealham mais e mais fortunas, produzindo um rastro de desolação.

As 104 instituições financeiras que atuam no Brasil alcançaram lucro estratosférico de R$ 33,4 bilhões em 2006. E olha que não estamos sob um governo de direita, como a ‘esquerda’ em seu discurso bate-estaca gosta de bradar. Somos governados por um presidente de origem paupérrima, metalúrgico, que sabe o que é miséria. Mesmo assim, os banqueiros nunca empalmaram tanto como agora, não obstante a queda nos juros, estabilidade da moeda, redução no risco Brasil etc.

Algo precisa ser feito para estacar essa sangria. Nos pequenos municípios do interior, que vivem de Fundo de Participação dos Municípios (FPM), aposentadorias-pensões, a bodega e a banca do mercado começaram a trabalhar no vermelho, já restringem o crédito, porque quase tudo está sendo drenado pelas financeiras, na fonte, saqueando a terceira idade brasileira.

Para se ter uma idéia da dilapidação, temos até equipes de corretores terceirizados vendendo empréstimos consignados. Muitos fazem verdadeiras expedições às pequenas cidades e à zona rural. O negócio é tão rentável que as comissões chegam a 12% por contrato e certos vendedores se dão ao luxo de recrutarem assistentes. As financeiras impõem juros de gângsteres, apesar do risco zero do negócio.

O meio circulante encolhe drasticamente e multiplicam-se as bancas de financeiras por aí. A disputa é tão acirrada que muitas oferecem prêmios adicionais, sorteios e abrem filiais aos borbotões. A propaganda, como alma do negócio, também faz parte da estratégia e chega a veículos populares como o rádio.

Ouro de tolo, o empréstimo consignado é exaltado como conquista da baixa renda, que garantiria acesso a bens de consumo duráveis etc. Mas isso é balela. Com minguados reais comprometidos às vezes em mais de um contrato, o idoso – que em muitos casos é o único sustentáculo familiar – está asfixiado.

Falta o remédio e escasseia o alimento, para que o TV ornamente a sala do casebre famélico do idoso. Honrado em sua biografia, ele agora se vê ameaçado pela chaga da desonra, na iminência de ser tachado de velhaco. É muito para quem deveria receber reverência e ganhar, com a simbologia dos cabelos brancos, o respeito do Estado, o zelo da família e comportamento menos infame da hidra dos banqueiros.

Só Pra Contrariar

O presidente da Fiern, Flávio Azevedo, falou o que a Petrobras não deveria ouvir ou o que ela faz que não ouve há tempos?

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