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Jornalista, atuando profissionalmente há mais de 21 anos, com experiência em jornal impresso, TV, revista, rádio, webjornalismo e mídias alternativas, além de assessorias político-empresariais. CONTATOS: herzogcarlos@gmail.com

domingo, abril 01, 2007

Crônica (Edilson Pinto)

www.DEUS.mundo

Serei bem felizes quando os homens vos odiarem, vos separarem, vos tratarem injuriosamente, rejeitarem vosso nome como mau por causa do Filho do homem. Regozijai-vos nesse dia e exultai de alegria, porque uma grande recompensa vos será reservada no céu...” (São Lucas 4:22-23)

Deus, meu Pai,

Perdoe-me incomodar-LHE a esta hora, mas é urgente a situação. E pela urgência, nem tive tempo de ficar a sós, nem de apagar a luz, nem de encontrar a paz, nem de folgar os nós dos sapatos, da gravata e dos desejos e receios, como recomenda o camarada Gilberto Gil... para falar com Você, meu Pai. Assim, envio-LHE esse e-mail, já que os correios continuam com problema, aqui na terra, devido ao modo petista de governar...

Qual a urgência?! Estamos comendo o pão que o diabo amassou... Sim! Nós médicos estamos sendo massacrados por todos os outros profissionais da saúde, só porque estamos lutando pelos nossos direitos.

Tá certo! Acusam-nos de querer ser diferentes... mas, quem criou essa diferença, e me perdoe, meu Pai, não foi o senhor, quando lá na Gênese – para realizar a sua principal obra, que foi a criação da mulher –, colocou Adão em sono profundo (anestesiado) e fez a primeira cirurgia – uma costectomia – ou seja, retirou-lhe uma costela?

Desculpe-me, mais uma vez, e com todo respeito que guardo pelo Senhor, mas não teria sido melhor se Adão tivesse ido à farmácia, comprado um emplastro sabiá, para colocar sobre as costelas e assim nascer Eva? Ou quem sabe se não ficaria mais justo se Adão tivesse retirado um dente incluso, que estivesse doendo, e desse dente fosse feita a sua companheira? O fato, meu Pai, é que acho que o Senhor só não poderia nunca ter feito isso conosco – com os médicos... agora estamos pagando o pato... E haja revolta!

É o ser humano, não é, meu Pai? O Senhor sabe mais do que ninguém que a verdade dita por Sartre: de que o inferno são os outros, vem explicar toda essa ira jogada contra nós. Essa mesma inveja que matou o seu filho, nosso irmão Cristo. Aliás, meu Pai, se o meu irmão Cristo estiver aí sentado a sua direita, por favor, diga-lhe que Ele também tem a sua parcela de culpa... pois Ele nunca poderia ter dito: “Os sãos não precisam de médicos!”. Ficaria mais elegante se Ele (Cristo) tivesse substituído a palavra médico, por qualquer outro profissional de saúde...

Ainda mais, meu Pai, se fizermos uma rápida análise, logo, logo, chegaremos à conclusão de que qualquer profissional de saúde é mais importante do que o médico. Não só mais importante como também mais inteligente. Afinal, eles estudam menos do que nós, que passamos seis anos na faculdade, mais, pelo menos, três de residência médica – e tem até quem, por total falta de inteligência, ainda resolve fazer mestrado e doutorado, num país onde falar errado e perder um dedo pode levar o indivíduo ao topo máximo, quer dizer ao poder supremo...

Eu sei e o Senhor vai concordar que é tão claro que, diante de um ferimento por arma de fogo na aorta abdominal, mais importante do que o cirurgião vascular, é o fio de sutura... mais claro ainda é que, diante de um traumatismo craniano grave (TCE), com escala de coma de Glasgow de 6, mais importante do que um neurocirurgião, é saber onde o doente mora... quantos quartos e quantas pessoas habitam na casa ...

Portanto, meu pai, diante de toda essa celeuma criada, venho pedir-lhe que dê um jeito, aí em cima, para que todos os que aqui embaixo se encontram, leiam a questão 804 do livro dos espíritos, em que Allan Kardec questiona o porquê de o Senhor não ter dado as mesmas aptidões a todos os homens. Aí eles verão a resposta e talvez se acalmem, ou melhor, talvez se conformem: “...

A diferença entre os espíritos está na diversidade dos graus da experiência alcançada... Daí se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que os outros, o que lhes dá aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais...”.

Francisco Edílson Leite Pinto Junior - Professor, médico e escritor

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